O futuro desenvolvimento de microcentrais hidrelétricas no Uzbequistão

O futuro desenvolvimento de microcentrais hidrelétricas no Uzbequistão
O Uzbequistão encontra-se num momento crucial da sua transição energética. Com abundantes recursos hídricos, uma economia em rápido crescimento e metas ambiciosas para as energias renováveis, o país está a recorrer às micro e pequenas centrais hidroelétricas como solução estratégica para melhorar o acesso à energia, reduzir a dependência do gás natural e construir um futuro energético sustentável. Este artigo explora o estado atual, o potencial futuro e os principais fatores que impulsionam o desenvolvimento das microcentrais hidroelétricas no Uzbequistão.
O Uzbequistão possui uma extensa rede de recursos hídricos que constitui a espinha dorsal do seu potencial hidroelétrico. O país abriga mais de 150.000 quilômetros de rios, canais e córregos, que são cruciais não apenas para o abastecimento de água e irrigação, mas também para a produção de energia e a sustentabilidade ambiental. Essas vias navegáveis, muitas das quais foram desenvolvidas para irrigação agrícola ao longo de décadas, representam uma oportunidade em grande parte inexplorada para a geração de energia distribuída.
Atualmente, a energia hidrelétrica responde por aproximadamente 10 a 12% da geração de eletricidade do Uzbequistão, enquanto a maior parte do fornecimento de energia do país ainda depende de gás natural e carvão. Em 2025, a geração total de eletricidade do Uzbequistão atingiu 85,5 bilhões de quilowatts-hora, um aumento em relação aos 59 bilhões de quilowatts-hora em 2016, e a demanda por eletricidade do país deverá dobrar até 2030, ultrapassando 120 bilhões de quilowatts-hora anualmente. Apesar do aumento na geração, aproximadamente 10% da demanda por eletricidade permanece não atendida, o que leva a frequentes interrupções no fornecimento — principalmente em áreas rurais e carentes — devido à infraestrutura de transmissão e distribuição obsoleta.
Visão Estratégica e Quadro de Políticas
O governo do Uzbequistão tornou a expansão da energia verde uma prioridade nacional. Em 2025, o presidente Shavkat Mirziyoyev declarou o ano como o “Ano da Proteção Ambiental e da Economia Verde”, e o país desenvolveu uma Estratégia de Desenvolvimento de Baixo Carbono a longo prazo e um Programa Nacional de Financiamento Verde. O objetivo estratégico é garantir a estabilidade ambiental e a transição para um modelo de desenvolvimento econômico verde com uso eficiente de recursos.
Nesse contexto, o Uzbequistão estabeleceu metas ambiciosas para energias renováveis: aumentar a participação de energias renováveis ​​de 23% em 2025 para 54% em 2030 e elevar a capacidade total de geração de eletricidade para 51,6 gigawatts em 2030 e 59 gigawatts em 2035. O governo planeja comissionar mais de 17.000 megawatts de capacidade de energia renovável até 2030 para atender à crescente demanda por eletricidade.
Dentro desse esforço mais amplo em prol da energia verde, a energia hidrelétrica ocupa uma posição central. O governo estabeleceu a ambiciosa meta de 6 gigawatts de capacidade hidrelétrica até 2028, um aumento significativo em relação aos pouco mais de 2 gigawatts atuais. Os planos para 73 projetos hidrelétricos, avaliados em US$ 5,8 bilhões para o período de 2026 a 2032, foram revisados, com uma previsão de acréscimo de 3,6 gigawatts de capacidade.
Micro e pequenas centrais hidrelétricas: um pilar da eletrificação rural
Entre os componentes mais notáveis ​​da estratégia hidrelétrica do Uzbequistão está a rápida implantação de micro e pequenas centrais hidrelétricas (micro-CHEs e pequenas CHEs). Esses projetos são particularmente adequados à geografia e às necessidades energéticas do país. Pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) com capacidades que variam de 100 quilowatts a 5 megawatts podem ser instaladas em canais de irrigação existentes, tornando-as ideais para a geração distribuída de eletricidade em áreas com acesso limitado a energia confiável. Essas usinas são consideradas de baixo custo, exigem pouca manutenção e podem ser construídas com relativa rapidez.
O governo estabeleceu a meta de construir cerca de 3.000 micro e pequenas centrais hidrelétricas até 2026, com uma capacidade instalada total de até 164 megawatts, o suficiente para fornecer eletricidade a mais 280.000 pessoas. Espera-se que essas microcentrais hidrelétricas produzam aproximadamente 500 milhões de quilowatts-hora de energia limpa anualmente, economizando até 151 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano e reduzindo as emissões de dióxido de carbono em 251.000 toneladas. Os empreendedores implementarão esses projetos com base em projetos padronizados, com a alocação de terrenos por meio de leilões online para arrendamentos de 20 anos, prorrogáveis ​​após o vencimento.
O maior número de microcentrais hidrelétricas será construído nas regiões de Andijan (763 usinas), Surkhandarya (300 usinas) e Kashkadarya (269 usinas). Além disso, um projeto separado visa construir 416 microcentrais hidrelétricas utilizando turbinas cinéticas nos próximos dois anos, com uma capacidade total de 12 megawatts. Essas instalações inovadoras aproveitarão de forma eficiente a energia da água corrente em canais de irrigação.
Marcos recentes e projetos em andamento
O Uzbequistão já fez progressos substanciais na implementação de sua agenda de energia hidrelétrica. Em 2025, vários projetos importantes foram concluídos. A pequena usina hidrelétrica de Gissarak, no distrito de Shakhrisabz, com capacidade de 3,5 megawatts, foi inaugurada a um custo de US$ 1,5 milhão, utilizando recursos inteiramente locais. Espera-se que ela gere 17,5 milhões de quilowatts-hora anualmente e economize até 5 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano, o suficiente para abastecer aproximadamente 7.300 residências.
A central hidroelétrica Zarchob-3, no rio Tupalang, na região de Surkhandarya, com capacidade de 16 megawatts, foi conectada à rede nacional em 2025 e deverá gerar até 70 milhões de quilowatts-hora anualmente, atendendo aproximadamente 23.200 residências. Ela dá sequência a outros projetos no rio Tupalang: Zarchob-1 (37 megawatts) entrou em operação em 2020 e Zarchob-2 (38 megawatts) foi inaugurada em 2021, fornecendo juntas eletricidade para cerca de 48.000 residências.
Olhando para o futuro, o governo planeja colocar em operação 13 novas usinas hidrelétricas até o final de 2026, com uma capacidade combinada de 114 megawatts e geração anual prevista de 537 milhões de quilowatts-hora, criando 254 empregos. Entre os principais projetos, a Usina Hidrelétrica de Upper Pskem, no distrito de Bostanlyk, avaliada em US$ 365 milhões, terá capacidade de 160 megawatts e produção anual de 484 milhões de quilowatts-hora, abastecendo cerca de 161.000 residências. O conteúdo local para este projeto está projetado em 82%. No distrito de Sokh, na região de Fergana, uma usina de 15 megawatts gerará 50 milhões de quilowatts-hora anualmente, cobrindo cerca de 71% da demanda local.
Uma iniciativa ainda maior está planejada para o sistema fluvial de Tupalang: a construção de 42 pequenas centrais hidroelétricas nos rios que alimentam o reservatório de Topalang liberaria 541 megawatts de capacidade e uma produção anual de quase 1,9 bilhão de quilowatts-hora.
Financiamento Internacional e Participação do Setor Privado
Instituições financeiras internacionais desempenham um papel crucial no apoio ao desenvolvimento da microhidrelétrica no Uzbequistão. Em junho de 2025, o Banco Mundial aprovou um empréstimo concessional de US$ 150 milhões para apoiar a implementação de um novo projeto com o objetivo de desenvolver o setor de pequenas centrais hidrelétricas e fortalecer o fornecimento de eletricidade em todo o país. O projeto, a ser implementado pelo Ministério da Energia entre 2025 e 2030, dará ênfase à participação ativa do setor privado, incluindo desenvolvedores locais de pequenas centrais hidrelétricas e bancos.
Até 2030, o projeto financiado pelo Banco Mundial visa financiar investimentos em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) com capacidade instalada total de até 150 megawatts, que deverão gerar mais de 520 gigawatts-hora de energia limpa anualmente e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 430.000 toneladas de CO₂ por ano. O projeto também deverá mobilizar cerca de US$ 38 milhões em financiamento comercial para expandir a infraestrutura hidrelétrica em todo o país.
Até o momento, cerca de 270 locais adequados para a construção de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) foram identificados preliminarmente ao longo de canais de irrigação existentes. A maioria desses locais (93%) possui capacidade entre 100 quilowatts e 1.000 quilowatts. A eletricidade gerada pelas PCHs financiadas pelo projeto será adquirida pela JSC Regional Electric Power Networks, fornecendo uma fonte de energia renovável confiável que diversifica a matriz energética e melhora o fornecimento de energia para residências e empresas em regiões carentes e áreas rurais.
Além do Banco Mundial, o Uzbequistão atraiu investimentos internacionais significativos para o seu setor energético. Nos últimos cinco anos, o país atraiu quase [valor omitido] milhões de dólares.
Nos últimos anos, o país implementou seis grandes projetos de energia, totalizando US$ 1,5 bilhão, em parceria com a Masdar, dos Emirados Árabes Unidos, e o portfólio geral de projetos entre o Uzbequistão e os Emirados Árabes Unidos atingiu US$ 20 bilhões. A Masdar também assinou um acordo com a JSC Uzbekhydroenergo para avaliar a viabilidade de vários projetos hidrelétricos de bombeamento no país — as primeiras usinas de bombeamento com capacidade total de 1,4 gigawatts estão planejadas, o que ajudará a solucionar os desafios de fornecimento intermitente de energia solar e eólica.
O Uzbequistão também está aprofundando sua cooperação com a China. Na região de Namangan, uma microcentral hidrelétrica de 2 megawatts está sendo construída em parceria com a empresa chinesa Zenith Hydro Electrics, com um custo total de US$ 5 milhões e previsão de conclusão entre 2025 e 2026. Outra empresa chinesa, a Xinjiang Qianyuan Kunyu Construction Engineering Co., assinou um acordo para construir nove pequenas centrais hidrelétricas no rio Karadarya, na região de Andijan.
Benefícios econômicos e ambientais
A microgeração hidrelétrica oferece vantagens econômicas e ambientais convincentes para o Uzbequistão. Em termos de custo, as microcentrais hidrelétricas são economicamente viáveis ​​e exigem pouca manutenção, com o custo da eletricidade proveniente de fontes renováveis ​​em torno de 3 centavos de dólar por quilowatt-hora, em comparação com 5 a 6 centavos de dólar em usinas termelétricas. A UHE Ugam-1, uma pequena usina com capacidade de 1,48 megawatts que gera 11,8 milhões de quilowatts-hora anualmente, demonstra a viabilidade econômica desses projetos — cada uma das duas pequenas UHEs no rio Ugam gera uma receita anual de 200 bilhões de soms.
Do ponto de vista ambiental, a microgeração hidrelétrica contribui diretamente para as metas climáticas do Uzbequistão. Até 2030, o país pretende reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 35%. Cada microcentro hidrelétrico substitui o gás natural que seria queimado para a geração de eletricidade. Por exemplo, somente a pequena central hidrelétrica de Gissarak economiza até 5 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano. Espera-se que as quase 3.000 microcentrais hidrelétricas planejadas reduzam o consumo anual de gás natural em 151 milhões de metros cúbicos, diminuindo as emissões de dióxido de carbono em 251.000 toneladas. Os projetos financiados pelo Banco Mundial têm previsão de reduzir as emissões de CO₂ em até 430.000 toneladas por ano.
Do ponto de vista social, a micro-hidrelétrica leva eletricidade confiável a comunidades rurais que sofrem há muito tempo com a escassez de energia. Além de proporcionar acesso à energia, esses projetos criam empregos: somente as 13 usinas hidrelétricas planejadas para 2026 devem gerar 254 empregos, enquanto a micro-hidrelétrica de 2 megawatts em Namangan criará 15 empregos permanentes. O projeto também tem o potencial de estimular a criação de empregos e a produção em indústrias relevantes e pequenas e médias empresas, impulsionar a atividade econômica local e contribuir para o desenvolvimento regional mais amplo.
Desafios e Considerações Ambientais
Apesar dos benefícios evidentes, a rápida expansão da microhidrelétrica no Uzbequistão não está isenta de desafios. Ambientalistas manifestaram preocupação com os potenciais riscos ambientais e sociais associados à construção de mini-usinas hidrelétricas, incluindo impactos nos ecossistemas fluviais, na migração de peixes, nos padrões de fluxo de água e nas comunidades locais. O Uzbequistão tem um histórico de enfrentamento desses desafios: o governo tem se empenhado na coordenação da distribuição de água para fins agrícolas e energéticos, bem como no monitoramento do uso da água. De forma mais abrangente, o país está trabalhando para implementar tecnologias de economia de água na agricultura em 100% dos casos e anunciou planos para aumentar o número de reservatórios planejados de quatro para doze.
Para abordar essas preocupações, o governo está implementando sistemas avançados de monitoramento digital e inteligência artificial no setor, com 3.500 dispositivos e sensores de monitoramento já instalados em estações de tratamento de água para acompanhar o volume de água, a pressão, as condições climáticas e a integridade estrutural em tempo real.
O Caminho à Frente: Perspectivas Futuras
O futuro da microgeração hidrelétrica no Uzbequistão parece excepcionalmente promissor, impulsionado por diversos fatores convergentes. Primeiro, o forte compromisso político do governo, evidenciado por decretos presidenciais, estratégias nacionais e metas ambiciosas, proporciona um ambiente político estável. Segundo, o substancial financiamento internacional do Banco Mundial e de outros parceiros garante que as restrições de capital não impeçam o desenvolvimento. Terceiro, o envolvimento de desenvolvedores do setor privado — tanto nacionais quanto internacionais — traz expertise, eficiência e inovação para o setor. Quarto, a existência de mais de 270 locais pré-identificados ao longo de canais de irrigação existentes cria uma carteira clara de projetos financiáveis.
5,8 bilhões entre 2026 e 2032, com um acréscimo previsto de 3,6 gigawatts de capacidade [referência: 60]. Até 2028, somente a região de Tashkent planeja implementar 23 projetos hidrelétricos adicionais, com capacidade total de aproximadamente 2.400 megawatts e um investimento de 4,8 bilhões. A meta é que a capacidade hidrelétrica total do país atinja 6 gigawatts até 2028.
Talvez o mais significativo seja que o Uzbequistão está posicionando a microgeração hidrelétrica como parte de um sistema energético integrado mais amplo. As usinas hidrelétricas de bombeamento planejadas, com capacidade de 1,4 gigawatts, ajudarão a estabilizar a rede elétrica e a armazenar a energia proveniente da crescente capacidade solar e eólica do país. O governo também delineou planos para modernizar as redes elétricas de baixa tensão, construir 7.000 quilômetros de redes de infraestrutura e implementar sistemas de controle digital para garantir o equilíbrio energético entre as regiões.

O setor de microcentrais hidrelétricas do Uzbequistão está prestes a passar por uma transformação. Com seus vastos recursos hídricos, forte apoio governamental, financiamento internacional significativo e uma carteira de centenas de projetos prontos para execução, o país está bem posicionado para fazer da microcentral hidrelétrica um pilar fundamental de sua transição para energia limpa. Até 2026, quase 3.000 microcentrais hidrelétricas levarão eletricidade a 280.000 pessoas, reduzirão o consumo de gás natural, diminuirão as emissões de carbono e criarão empregos em todo o país. Até 2030, o setor terá se expandido ainda mais, apoiado por sistemas de armazenamento por bombeamento, tecnologias de monitoramento digital e uma rede elétrica cada vez mais sofisticada. À medida que o Uzbequistão continua sua jornada rumo a um modelo de desenvolvimento econômico verde e eficiente em termos de recursos, a microcentral hidrelétrica desempenhará um papel indispensável na geração de energia para o Novo Uzbequistão.


Data de publicação: 25 de maio de 2026

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